Eu me chamo F.A.D., moro no interior do Rio de Janeiro, em uma cidade chamada Rio Bonito, a 85 Km de Copacabana, onde ouvi pela primeira vez sobre a Pontos Coração através de um sacerdote da obra, e a partir daí começou o meu lindo caminho com a comunidade.

Fui fazer um retiro de um dia na comunidade Bom Pastor, em Copacabana, e lá ouvi o Pe. Arnaud falar da comunidade Pontos Coração e o trabalho missionário da mesma com as crianças, jovens, adultos e idosos. Nunca pensei em ser missionária e tão pouco sair do Brasil pra fazer missão, porém tudo aquilo me chamou atenção e havia algo mais forte que me impulsionava, daí tomei a decisão de ir falar com o padre, então ele me convidou para fazer um retiro mais específico sobre a comunidade, depois me convidou para fazer uma experiência com a Comunidade e mantivemos contato por email. Em novembro de 2009, ele veio em Rio Bonito e foi quando confirmei a minha ida no dia 26 de dezembro por 15 dias na Bahia. Eu tinha muito medo de todo aquele sentimento que invadia meu coração. Fiquei encantada e identificada com tudo que vivi nessa experiência de alguns dias, voltei para o Rio, decidida a dizer “sim” a vontade de Deus, no entanto o medo voltou e recuei, mas Deus estava ali ao meu lado caminhando comigo, colocando pessoas que me ajudassem a trilhar seus planos pra minha vida. Depois de 1 ano em discernimento, eu decidi embarcar nessa aventura e em março de 2011, fui enviada para um país, lindo e com um povo bastante acolhedor, El Salvador situado na América Central e lá fiquei por 14 meses e 20 dias, e posso falar com toda convicção que foi uma experiência incrível e maravilhosa, que mudou minha vida, que me fez crescer pessoalmente e espiritualmente, e voltei com uma bagagem cheia de grandes e belos tesouros que Deus me deu, como as amizades e as experiências vividas que muito me marcaram.

Costumo dizer que Pontos Coração para mim tem como 3 colunas: a vida de oração, a vida em comunidade e o apostolado. A primeira, é o que me sustentava e me mantinha de pé em meus momentos de fraquezas, com orações diárias, adoração e santa missa. A segunda coluna, me ajudou a reconhecer e aceitar minhas próprias limitações e a do próximo, aprendi a amar e a sorrir com outro, mesmo com tantas diferenças, pois além de estar num país diferente, eu morava com pessoas de culturas distintas como argentinos, franceses e estadunidense, foi muito bom conviver com estas diversidades culturais. E por último, o apostolado, onde compreendi o quanto foi importante a missão de Maria aos pés da cruz de Jesus, ela não estava simplesmente parada, mas sim de pé, em sinal de compaixão e presença real solidária ao sofrimento do seu filho. E assim era a missão no apostolado com as visitas semanais as prostitutas e as crianças com câncer, aí Jesus me chamava a viver a compaixão e a estar mais próxima daqueles que mais sofriam, sei que dentro das minhas limitações não podia fazer muitas coisas, no entanto o pouco com Deus é muito.

“O que ao início me abalou foi um grito aquele de milhões de crianças, um grito às vezes silencioso, mas que rasga o coração, pois vem de um sofrimento atingindo o mais íntimo do ser.” Portanto, posso dizer que essa frase de Pe. Thierry de Roucy, fundador da Comunidade Pontos Coração, resume em poucas palavras o que me impulsionou para a missão. Essa atitude foi um pequeno gesto, para com Deus em forma de agradecimento diante de tudo aquilo que já recebi Dele. A vida missionária nos permite esvaziar-nos de nós mesmos para que Deus nos encha com seu amor, pois só assim o “doar-se” é verdadeiro. Assim senti o chamado para dar uma parte, da minha vida e do meu tempo para a consolação dos mais pequeninos.

E sou profundamente agradecida a comunidade por me ajudar a trilhar tão belo caminho.