Eu me chamo L. de O. B. ,tenho três irmãos,fui adotada com um ano e meio,até pouco tempo atrás não tinha contatos com meus irmãos,meu irmão mais velho ficou com um tio por parte de pai,minha irmã com uma tia irmã da minha mãe,meu outro irmão(Leonardo) foi o único que ficou com minha mãe biológica,e não teve oportunidade de ter uma vida digna,como estudo,assistência médica,uma casa boa para viver,nem documentos. Há uns três meses atrás fui na « casa » deles,pude ver de perto a realidade dos dois,vivem num quartinho,tem duas camas,o banheiro é do lado de fora e não tem cobertura,não tem geladeira,nem fogão,cozinham a lenha,não possuem nenhuma renda que possa de fato sustenta-los dignamente. Eles não tem muitas roupas nem calçados,minha mãe biológica tem problemas psicológicos visíveis,sai de casa cedo e caminha por muito tempo,catando reciclagem para conseguir algum dinheiro,enquanto isso Léo fica em casa o dia todo,sem estudar,ele parou de ir na escola na terceira série do ensino fundamental,ler pouco e escreve pouco também. Com a visita na casa deles percebi que eles precisam de muita ajuda,Léo se encontra numa situação vulnerável,pessoas ruins o cercam quando minha mãe biológica está fora catando a reciclagem.

Diante disso fiquei muito comovida,muito triste. Pensei em como ajuda-lós,foi aí que lembrei da fazenda dos Pontos Coração,já tinha ouvido falar antes que é um grupo católico que acolhe pessoas que tenham alguma necessidade e estejam precisando de ajuda. Eu participo do grupo Comunhão e Libertação,conheço algumas pessoas que tem amizade com outras dos Pontos Coração,Arlete é uma delas,foi com ela que conversei e pedi ajuda de como conseguir deixar meu irmão e minha mãe um tempo na fazenda,ela ficou de conversar com a irmã Maria a situação,depois de pouco tempo,Arlete entrou em contato comigo falando que conseguiu contato com irmã Maria,ela me passou o telefone dela e me pediu para ligar e contar toda a história. Liguei e fui muito bem atendida,irmã Maria me ouviu com calma,momento nenhum ela falou que não nos ajudaríamos. Mas sim,que ia ver as possibilidades deles ficarem lá,foi então que na conversa ela propôs que eles passassem um final de semana na fazenda,eu marquei um encontrou com eles e fomos pra fazenda,logo de cara gostamos muito do lugar,um lugar de paz,calmaria,diferente de tudo. Chegamos no sábado a tarde e fomos embora no domingo a tarde. Lá pude ter um momento diferente com eles,consegui passar mais tempo com os dois,desde que fomos separados,as irmãs são muito acolhedoras,os voluntários,o padre,os moradores,todos nos trataram bem,como uma família que só quer nosso bem. Ajudamos no almoço,a catar manga,limpar o salão,fomos nas laudes,missa. Meu irmão e minha mãe gostaram bastante da recepção de todos e do lugar. No final quando estava perto de irmos embora,conversei com irmã Maria,que pediu minha opinião sobre o lugar. Ela propôs que eles fizessem uma experiência de quinze dias,caso eles se adaptem ficarão mais tempos. Estou rezando para que eles fiquem lá e gostem,vejo que ali será um novo começo para eles,novas oportunidades,terão uma vida digna,e o melhor,estarão próximos de Cristo,com pessoas amigas e dedicadas que desejam ajuda-lós. A fazenda e as pessoas que ali estão para ajudar o próximo,tem um trabalho árduo e muito belo de lhe dar com as pessoas que chegam lá em busca de ajuda. Percebi nas irmãs o amor de Cristo,o cuidado,atenção. A fazenda me trouxe esperança de um futuro melhor para meu irmão e minha mãe.